Autorrealização: de si plena.

Uma reflexão sobre a autorrealização e como a conquistar

Para ouvir o artigo clich aqui:

Este é um artigo encomendado.
Surgiu a ideia, quando explicava ao meu irmão sobre como me sinto, cada vez que inicio um novo artigo para este blog, e como isso ilumina a minha “existência com criatividade”.
Ele perguntou: autorrealização de Maslow Sónia?… está aí,… escreve sobre isso!!

E pus-me a refletir: quando eu me lembro de me ter sentido, conscientemente, realizada?

A minha cabeça voou para um cartaz que tornei a ver há pouco tempo, mas de um evento que realizei há mais de 15 anos, numa campanha de sucesso no Banco, com a participação de duas estrelas mundiais de futebol e o Presidente da República da época. O meu chefe disse:

– Tem calma, está a acontecer Diretora.

Sim, estava…, mas longe do expectável, em muitos detalhes… A sensação não era de vazio, mas de um alívio estranho, seguido de uma pergunta ainda mais estranha: “Era isto que eu tanto queria??”

Esta experiência ensinou-me algo que a neurociência confirma: o nosso cérebro está programado para a busca, mas não para a conquista. Nunca estamos ricos o suficiente, que não nos possa agradar mais uns milhões.

A autorrealização é o resultado necessário de trabalho árduo, mas com liberdade, autoexpressão e criatividade, na geração deste trabalho.  Esse sentimento advém de autoconhecimento e de quanto somos capazes de saber, e de aceitar, os resultados produzidos por nós.

Claro que, a autoexigência e a ambição, também têm um papel fundamental, já que, por si só, a curiosidade e autossuperação (que resultam em inovação e invenção) são frutos da ambição constante, por querer mais e saber mais…

Atribuída aos ditos “bem-sucedidos”, já que está no topo da pirâmide de Maslow, a autorrealização é muitas vezes reduzida a dinheiro e a fama. Mas exemplos não faltam, para comprovar que nos sentirmos autorrealizados, em nada tem a ver com isso. É antes um estágio de plenitude, maturidade emocional, de estabilidade de rotinas, e de encontro com a nossa essência.

Estar realizado é estar em paz connosco, com as nossas responsabilidades e emoções. Não significa não ter desafios. Muito pelo contrário. Significa estar em harmonia com a realidade que nos rodeia, apesar do cobrador interno estar em constante crédito por evolução.

Mas, quando nos permitimos sentir, de facto, realizados? Quando estaremos nós, satisfeitos com os resultados que produzimos? Com os resultados produzidos pela nossa equipa? Como reconhecer que, a nossa exigência e ambição, estão a colocar a equipa no linear da “dor do inalcançável”, pelo menos, por agora?

No meu evento, que é um feito relembrado depois de tantos anos, não fui invadida por uma onda de plenitude. Antes, porém, queria afinar os detalhes, que só eu sentia falta.

Como líderes, esta fronteira torna-se perigosa. Quantas vezes, projectamos nos outros, a nossa ânsia por resultados, criando para a equipa metas que são, pelo menos, naquele momento, difíceis de alcançar?  A nossa autorrealização fere o papel da liderança, se não houver respeito pelo processo de crescimento individual, de cada membro da equipa.  E se não houver reconhecimento do impacto do trabalho do todo, para lá das imperfeições.

O maior desafio de um líder é separar a sua própria sede de produção, do processo único de cada liderado. Apesar de ser medido pelos feitos deles, a sua realização não pode depender de eles chegarem ao pico de suas expectativas, e menos ainda, no seu ritmo. A sua realização vem do reconhecimento pacífico e com generosidade que, fez tudo que estava ao seu alcance, e que humildemente vai aprender com a experiência, e se comprometer a melhor fazer.

A autorrealização vem da aceitação e de um profundo autoconhecimento. Da maturidade de ressignificar as frustrações das nossas expectativas, em função do possível dentro do possível! Do quanto somos, para o tanto que conseguimos.

Nada lhe poderá satisfazer mais como líder que confiar na contínua realização do amanhã. No respeito por si e pela disciplina do empenho diário de todos.  E que isso lhe traga orgulho e evolução de estar “de si pleno”.

Estar realizada é estar “de si plena” (disciplina), plena do que veio (e consegue) fazer.

Continue remando, não abandone o barco.

Artigo publicado por:

Sónia Antas (4 min. de leitura)

Sónia Antas
Directora Geral da Trimethodus
Coordenadora Pedagógica
Mentora de Liderança, personalidade e gestão de equipas
linkedin.com/in/sonia-antas

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Uma resposta

  1. O artigo é de leitura simples e aborda bem a relação entre autorrealização, ambição e liderança. Mostra como é importante equilibrar o que queremos alcançar com o respeito pelo processo e pelo ritmo de cada pessoa.

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